FUNCIONAMENTO
DO SISTEMA GPS
De acordo com VETORAZZI et ai (1994), o sistema GPS está
baseado no sistema de satélites NAVSTAR pertencente ao
governo americano e monitorado ininterruptamente pelo Department
of Defense, DoD (Departamento de defesa americano ). Seu uso
civil foi liberado somente em 1980.O sistema é composto
por 24 satélites orbitando em 6 planos inclinados em
55º ao Equador,a uma altitude de 20200 Km com ciclos de
12 horas. Todos em operação (e mais três
sobressalentes) estão dispostos de tal forma que no mínimo
existam cinco deles visíveis para qualquer ponto da terra
e a qualquer momento. Devido à grande altitude em que
os satélites se encontram, suas órbitas se tornam
muito estáveis, pois quase não sofrem resistência
atmosférica. Apenas em 1993 a constelação
de satélites foi terminada, tornando-se o sistema que
é conhecido atualmente. Este, que é utilizado
não apenas para posição, mas como referência
de tempo e navegação. Nenhuma destas aplicações
contempla o uso original do sistema, que deveria servir unicamente
o DoD, porém os usuários foram adaptando seu uso
a suas necessidades, fazendo o que Adams et al (1995) chama
de dualidade.
O DoD tem quatro estações monitoras na Terra,
três estações de transferência, e
uma estação de controle central. As estações
monitoras rastreiam os satélites continuamente e fornecem
dados para a estação de controle central. A estação
de controle central calcula os caminhos dos satélites
e coeficientes de correção dos relógios
e os envia para uma estação de transferência.
As estações de transferência transmitem
os dados para cada satélite pelo menos uma vez por dia.
Cada satélite contém um par de relógios
atômicos com precisão de nanosegundos que constantemente
enviam sinais com seus códigos de identificação.
Os dados são enviados para a superfície por meios
de ondas de rádio, que viajam à velocidade da
luz. Assim os receptores conseguem saber quanto o sinal viajou,
sabendo quanto tempo ele demorou para chegar. Para estabelecer
quando um sinal deixou um satélite, o mesmo código
Pseudo-Aleatório é criado ao mesmo tempo em ambos.
Cada satélite GPS transmite dois sinais de rádio,
L1 a 1575,42 MHz e L2 a 127,60 MHz. O sinal L1 se modula com
dois códigos variáveis de ruídos pseudo-aleatórios
(PRN), código P e C/A. A precisão ou código
P pode transformar-se num código secreto para uso militar.
A aquisição grosseira ou código C/A é
sempre um código aberto. O sinal L2 se modula somente
com código P. A maioria dos receptores civis utiliza
o código C/A para obter informações do
sistema GPS.
TRILATERAÇÃO
O trabalho do receptor consiste em localizar quatro ou mais
satélites, reconhecer a distância para cada um
deles e usar esta informação para deduzir sua
própria posição. Esta operação
é baseada num princípio matemático simples,
chamado trilateração. Este princípio em
duas dimensões pode ser um pouco sutil em seu entendimento,
assim utiliza-se um exemplo em duas dimensões para iniciar
a explicação e que poderá ser extrapolado
para 4 dimensões.
Imagine-se estar em algum lugar no Brasil, totalmente sem coordenadas.
Recebe-se então uma informação que diz
que se está a 800 Km do Rio de Janeiro. Esta informação
é muito vaga ainda, pode-se estar em qualquer lugar sobre
um circulo de 800 Km de raio, como mostra a figura 1.

Figura 1- Localização dentro de (algarismos arábicos
só são utilizados se superiores a 10) um círculo
Com uma segunda informação adicional de localização
dizendo que se está a 520 Km de Belo Horizonte, melhora-se
a noção de localização. Combinando
as duas informações, observa-se que existem duas
localizações possíveis determinadas pela
intersecção dos dois círculos que satisfazem
as informações anteriores, como mostra a figura
2.

Figura 2- Localização dada
a intersecção de 2 círculos
Recebendo uma terceira informação, de que se está
a 300 Km de Florianópolis, determina-se então
a localização no plano resolvendo a equação
que atende às 3 informações simultaneamente,
e assim conclui-se que o local é Curitiba, como pode
ser observado na figura 3.

Figura 3- Localização dada a interseção
3 círculos
O
sistema de GPS foi concebido para dar uma informação
completa sobre a posição (i.e, latitude, longitude,
altura e tempo). O conceito em duas dimensões também
vale para sistemas tridimensionais, tomando agora não
mais círculos e sim esferas de raios definidos.
A interseção de duas esferas fornece um círculo
perfeito em projeção na superfície da terra,
que interseccionado com uma terceira esfera fornece dois pontos.
A Terra pode fornecer um quarto ponto, visto que dos dois pontos
anteriormente gerados, apenas um estará na superfície
da Terra, como mostra a figura 4. Os receptores procuram mais
de três satélites com a finalidade de aumentar
a precisão das informações.

Figura 4- Localização dada
a interseção de uma esfera com a terra
MEDIÇÃO
DE DISTÂNCIAS
O processo de medição já mencionado é
um processo cíclico e elaborado. Em um determinado instante
o satélite transmite um longo sinal digital, chamado
pseudo random code (PRC). No mesmo instante o receptor começa
a gerar o mesmo código. Quando o sinal do satélite
chega ao receptor haverá uma defasagem com o sinal gerado
no receptor. Esta defasagem (Dti) é igual ao tempo de
trânsito do sinal, logo o receptor multiplica o tempo
pela velocidade da luz (C) e determina a distância até
o satélite (Ri). Porém, para executar esta medição
ambos os relógios precisam estar sincronizados com precisão
de nanosegundos. Para isto seriam necessários relógios
atômicos em todos os satélites e ainda em todos
os receptores, o que se tornaria inviável visto o custo
de um relógio atômico.
O GPS possui uma solução eficiente para este problema
na qual apenas os satélites têm relógios
atômicos e os receptores usam um cristal de quartzo comum,
que não tem a mesma precisão dos relógios
atômicos, mas é constantemente reiniciado em sincronia
com quatro ou mais satélites. Quando se mede a distância
até quatro satélites, pode-se desenhar quatro
esferas que se interceptam em um ponto. Três esferas interceptam-se
mesmo se as medições não forem corretas,
porém quatro esferas não se encontrarão
em um ponto se a medição for incorreta.
Sabendo que os receptores fazem a medição usando
seus próprios relógios internos, as distâncias
serão proporcionalmente incorretas. Para contornar isto
o receptor calcula um ajuste que irá fazer tal que as
quatro esferas se cruzem em um ponto. Tal ajuste é efetuado
pelo receptor, sempre que ligado, reiniciando o relógio
interno para sincronizar precisamente com os relógios
atômicos dos satélites. Para o cálculo da
distância, o receptor precisa saber onde os satélites
estão. Cada satélite informa junto com as demais
informações a sua posição exata
obtida através da constante monitoração
das órbitas, pelo DoD, que podem mudar levemente com
eventos como a passagem da lua e o sol. Para facilitar os cálculos,
as informações relativas à posição
de cada satélite para um determinado instante são
armazenadas no receptor na forma de uma tabela, também
conhecida como almanac. O almanac nada mais é que um
tabela onde são armazenados conjunto de satélites
com seu identificados e os dados necessários para os
cálculos.
MODELO MATEMÁTICO
Usando uma simples equação modela-se a distância
entre o emissor e os receptores, como mostra a figura a seguir:
Figura 5- equacionando o problema
O
Ri inclui a distância entre o satélite i e o receptor,
o desvio sistemático dos relógios tanto do satélite
quanto do receptor e ainda atrasos devido a atmosfera e interferência
no receptor. Com isto pode-se resolver um sistema de quatro
equações e quatro variáveis para chegar-se
a não apenas a posição exata, mas ainda
ao sincronismo do relógio do receptor com os relógios
atômicos dos satélites, como mostra figura 6.

Figura 6- sistema de equações
Xi,
Yi, Zi são as posições dos satélites
e o receptor resolve o sistema para Ux, Uy, Uz e ainda Cb que
seria o desvio do relógio do receptor. Este método
assume nos cálculos que o sinal de rádio percorre
todo o caminho através da atmosfera em uma velocidade
constante. Na verdade a atmosfera atrasa o sinal eletromagnético,
particularmente na ionosfera e troposfera. O atraso ainda varia
conforme a posição sobre a superfície,
dificultando cálculos mais acurados. Defini-se assim
algumas fontes de erros para o sistema GPS.
FONTES DE ERROS
O sistema GPS civil pode ter seu sinal degradado de diversas
maneiras, devido à alguns erros potenciais resultados
de uma soma de erros preliminares das seguintes fontes:
- Atrasos da Ionosfera e Troposfera, o atraso do sinal nesta
parte da atmosfera é compensado por um modelo incluído
no receptor, porém por fazer apenas um media dos atrasos,
não é exato e assim perde-se um pouco de precisão.
- Sinais "multi-path", quando o sinal é refletido
por prédios ou formações rochosas, o tempo
de propagação muda e isto causa erros.
- Erros do relógio do receptor, como não é
possível ter um relógio atômico em cada
receptor, podem ocorrer variações no relógio
do receptor, causando assim perda de precisão.
- Erros orbitais, são imprecisões nos relatórios
de localização dos satélites.
- Número de satélites visíveis, quanto
mais satélites visíveis, maior a precisão.
Prédios, terrenos acidentados, interferência eletrônica
e até mesmo uma folhagem mais densa podem impedir a visualização
dos satélites por parte do receptor. Tipicamente não
se consegue um bom funcionamento dentro de locais fechados,
embaixo da água ou da terra.
- Geometria dos satélites / sombra, tipicamente existe
uma geometria entre os satélites que favorece a decodificação
da posição. Em alguns casos, satélites
muito próximos uns dos outros ou alinhados, geram uma
geometria "pobre", que resulta em uma precisão
ruim.
- Erros propositais, outra fonte significativa de erro é
inserida propositadamente pelo Departamento de Defesa americano
para causar uma degradação artificial do sinal
do satélite. É chamada de Disponibilidade Seletiva
(S/A - Selective Availability) e resulta em um erro de cálculo
na posição Availability de mais de 100m.
Problemas podem ainda ocorrer quando o sinal de rádio
encontra objetos grandes, como os arranha-céus, pois
o receptor tem a impressão que o satélite está
mais longe do que A técnica envolve o uso de um receptor
em lugar conhecido, a Estação Base. A idéia
consiste em que o receptor estacionário na estação
de base envie sinais com a correção para os receptores
remotos ou rovers da área abrangida.
SISTEMA DGPS
Os erros acima citados podem ser removidos usando a técnica
chamada de correção diferencial que aumenta consideravelmente
a precisão dos dados coletados do GPS. Segundo o GPS
Guide- Garmin (2000) esta técnica consiste na utilização
de um ponto fixo como base, este ponto recebe os sinais dos
satélites e como é um ponto conhecido, pode calcular
o erro que esta sendo enviado pelos satélites. Calcula-se
o valor esperado, subtrai-se do adquirido e forma-se assim o
fator de correção.
Este fator de correção é enviado aos receptores
dotados da tecnologia DGPS (GPS diferencial) por meio de antenas
e com isto a posição de todos os receptores é
ajustada. Para cada satélite rastreado, é enviada
uma correção, isto faz com que quanto mais próximo
o receptor estiver da antena, melhor será a precisão
atingida. Como pode-se observar na figura 7.

Figura 7- correção diferencial
Este
sinal pode ser enviado via radio freqüência, FM ou
ainda por beacons (sinais em FM enviados pela guarda costeira
americana ) , este mantidos pela guarda costeira americana.
Os sinais enviados via FM, são geralmente usados por
sistemas de navegação de embarcações,
de modo geral são sistemas pagos. Uma vez instalada uma
antena para distribuição de sinal de correção,
pode-se cobrar por esta informação, assim existem
empresas especializadas na prestação deste tipo
de serviço.
Atualmente a precisão pode chegar a 3 metros, porém
empresas como a OminiSTAR vendem sinais que chegam a uma precisão
melhor que 1 metro. Este tipo de empresa envia o sinal via satélite,
em uma freqüência próxima da banda L1 do sistema
GPS, porém um pouco acima, o que diferencia do sistema
WAAS (citado a seguir). Ainda existem empresas que possuem antenas
e enviam o sinal por ondas de radio, a John Deere esta disponibilizando
este sinal no estado do Rio Grande do Sul atualmente.
O panorama na localidade estudada deixa a desejar neste quesito,
pois apesar dos produtores serem havidos por novas tecnologias,
a falta de informação faz com que não exijam
todo o potencial dos equipamentos instalados. Assim, apesar
de não haverem antenas corretivas para os DGPS presentes,
todos produtores sabiam da importância da precisão
do sinal em suas aplicações. Para o projeto de
aplicação de insumos a taxa variável, este
nível de refinamento não se faz necessário,
pois as distancias trabalhadas facilmente superavam em centenas
de vezes a precisão do GPS usado, fazendo com que o erro
não fosse relevante. Deve-se observar que o erro do sistema
GPS é sistemático, sendo repetido sem variações
ao longo do percurso. Esta sistemática faz com que o
posicionamento relativo não seja afetado, apenas o absoluto.
WAAS
O
"Wide Area Argumentation Sytem" é um sistema
baseado em 25 estações fixas que cobrem os EUA,
Canadá e México, implementado pela FAA (Federal
Aviation Administration) que é o órgão
americano responsável pela aviação nos
EUA. Cada estação esta colocada em um ponto estratégico
e compara os sinais recebidos pelos satélites com valores
fixos, gerando assim as correções para cada satélite.
As estações estão interligadas a um ponto
central, onde os dados são concentrados e enviados por
satélite em forma de broadcast para os receptores. Isto
gera uma precisão geralmente melhor que 3 metros , porém
este sistema não esta disponível no Brasil, apenas
nos EUA e Canadá. (GPS Guide- Garmin 2000)
PROTOCOLO NMEA 0183
INTRODUÇÃO
O protocolo NMEA é o mais largamente utilizado em sistemas
agrícolas, por isso segue uma breve descrição
de seus componentes. Este protocolo é utilizado também
no projeto descrito por este documento e no anexo II observa-se
uma descrição completa das mensagens.
Formato geral da mensagem
O protocolo NMEA foi instituído pela National Marine
Electronics Association, para padronizar as mensagens utilizadas
em embarcações, todas as mensagens NMEA são
caracteres ASCII (de 20 a 127 decimal ou HEX 14 ate HEX 7E).
Sintaxe da mensagem
As mensagens obedecem a seguinte sintaxe:
$GP<message id>,<data field>,<data field>,,,..*<checksum><CR><LF>
As
mensagens começam com o campo "$GP", seguido
de pelo identificador da mensagem. Os campos de dados são
separados por virgulas e após o checksum, existe um caractere
de retorno <CR> e de nova linha <LF>. O caractere
de controle * precede o checksum.
Os campos nulos são omitidos, sendo separados por virgulas
e sem conter nenhuma informação, a mensagem a
seguir contem 5 campos nulos.
$GPGGA,134158.48,6016.3072,N,02458.3788,E,1,08,1.2,,,,,,0000*1E
Sintaxe
dos comandos
Os comandos seguem a seguinte sintaxe:
$PFST,<command>,<parameter>,<parameter> ..
,<parameter>
Onde
o cabeçalho "$PFST" define um comando e, no
restante da mensagem, são parâmetros, vale lembra
que não se aplica o checksum para os comandos.
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
BALASTREIRE,
L.A., ELIAS, I. A. , AMARAL, J.R. Agricultura de Precisão:
Mapeamento da Produtividade da Cultura do Milho. Engenharia
Rural, ESALQ/USP, 1998.
SONKA, S. T., M. E. BAUER and E. T. CHERRY, et al Precision
Agricultureinthe 21st Century Geospatial and Information Technologies
in Crop Management
OLSON, R. K., C. A. Francis, and S. Kaffka, eds. 1995. Exploring
the Role of Diversity in Sustainable Agriculture. Madison, Wis.:
American Society of Agronomy.
FRESCO,
L. O. 1995. Agro-ecological knowledge at different scales. Pp.
133-141 in EcoRegional Approaches for Sustainable Land Use and
Food Production, J. Bouma, A. Kuyvenhaven, B. H. A. M. Bouman,
J. C. Luyten, and H. G. Zandstra, eds. Dordrecht, The Netherlands:
Kluwer Academic Publisher.
Manual
de referência para Sensores,Allen Bradley, Junho 2000
MORAN,
M. S., T. R. Clarke, J. Qi, and P. J. Pinter, Jr. 1996. MADMAC:
A test of multispectral imagery as a farm management tool. Pp.
612-617 in Proceedings of the 26th International Symposium on
Remote Sensing Environment, March 25-29, Vancouver, Canada.
AKRIDGE,
J. T., and L. D. Whipker. 1996. Precision agriculture services
dealership survey results. Staff Paper No. 97-10. Lafayette,
Ind.: Center for Agricultural Business, Purdue University.
R.
M. ZILLER, Microprocessadores: Conceitos Importantes - Florianópolis,
2000
J.
Vetorazzi, Teaching geotechnologies in the agricultural sciences
Careers, 2002
L.
J. ADAMS, P. AXELRAD, J. D. BOSSLER, The Global Positioning
System: A Shared National Asset NATIONAL ACADEMY PRESS, Washington,
D.C.1995
GPS
Guide - Garmin, 2000
< voltar