A Agricultura de Precisão consiste de um ciclo de análise da produtividade do solo (através da colheita), análise das características do solo (através de coleta de amostras ou imagens de satélite), controle preciso da aplicação de insumos e correção da terra e controle preciso da plantação e da aplicação de agrotóxicos. As vantagens de sua aplicação são muitas como: (a) economia de insumos agrícolas (agrotóxicos, fertilizantes, corretivos agrícolas); (b) aumento da produtividade (devido à otimização dos recursos do solo) e (c) sustentabilidade da terra em longo prazo, explorando-a de forma otimizada e não depredadora. Estas vantagens são comprovadas no campo científico e prático. Experimentos comprovaram aumentos de produtividade de 20% a 29%, e economias de 13% a 23% de insumos agrícolas, com relação a médias nacionais. A Figura 1 mostra simplificadamento os ciclos de agricultura convencional e Agricultura de Precisão.



Figura 1 - Ciclo de Agricultura de Precisão

A incorporação da tecnologia da informação na produção e práticas agrícola começou no inícios da década de 80, e recentemente tem se aumentado sensivelmente. Apesar desta tecnologia não ser nova, tem-se experimentado uma quantidade de informações disponível e uma variedade de informações muito maior do que se imaginava no inicio do processo. Esta aplicação de tecnologia na agricultura tem se identificado pelo termo, "agricultura de precisão". Varias são as definições para o termo agricultura de precisão, a mais usada foi definida por Balstreire, (1998) da seguinte forma "um conjunto de técnicas que permite o gerenciamento localizado das culturas"; ou "uma estratégia de gerenciamento que se utiliza da tecnologia da informação para coletar dados de múltiplas fontes, afim de auxiliarem nas decisões relacionadas a plantação" (Steven T. Sonka, 1997).

Segundo Sonka et al. (1997), a agricultura de precisão se divide em três componentes, aquisição de dados,analise dos dados e implementação de uma política de gerenciamento, baseada nas informações e janelas de tempo adequadas. Fatores com clima são gerenciados em escalas maiores que fatores com fertilidade e distribuição de pragas, estes sim são abordados pelos componentes da agricultura de precisão.


AGRICULTURA DE PRECISÃO E O GERENCIAMENTO AGRÍCOLA


Os avanços na tecnologia da informação e sua aplicação na produção agrícola, que são aqui chamados de agricultura de precisão, estão criando uma mudança no processo decisório da administração agrícola. Segundo Sonka et al. (1997), essas mudanças dependiam do avanço nas tecnologias, que hoje são realidade, pois em 1997 sensores e atuadores não tinham os preços atraentes e a facilidade que têm-se atualmente. Mesmo assim o futuro previsto por Sonka et al. (1997) pode não ser a realidade de hoje, visto que os processos não estão totalmente aprimorados e muito do que encontramos nas fazendas modernas são esforços isolados para melhorar algumas partes do processo produtivo.

Inúmeras escalas podem caracterizar a colheita atualmente, sendo vistas como um fluxo contínuo de informações desde a planta como objeto individual, passando por campos, fazendas e regiões. Lewin-Kolb propôs um modelo de hierarquias contínuas para estudar fenômenos complexos como quantidade de pesticidas e a diversidade do "agroecosistema" (Olson et al., 1995). Este modelo considera esta continuidade numa espiral espacial ascendente, começando nos talhões e indo até a esfera geográfica nacional. A medida que move-se para cima na espiral, passa-se de planta individuais para campos e regiões, conforme Figura 2.



Figura 2- modelo das hierarquias continuas

Fresco et al (1995) mostra a necessidade de relacionar os fenômenos que ocorrem em todos os níveis, para determinar a escala ótima em que cada processo deve ser estudado. Por exemplo, se a população de uma determinada planta depende de pequenas variações das propriedades químicas e físicas do solo, a variação da taxa de plantio requer tanto informações adequadas quanto um hardware igualmente adequado, sendo capaz de variar a taxa para cada centímetro do solo. Em uma escala maior, subindo a espiral, têm-se a necessidade da informação do clima, em tempo real, para prover irrigação.

O que mais anima os proprietários e que mostra o maior potencial imediato para agricultura de precisão, é o gerenciamento de pequenas áreas. A habilidade de repetidamente localizar um talhão especifico e dele medir a produtividade e o rendimento financeiro, prove uma oportunidade de otimizar a produtividade e o lucro para cada área. Subdividir o campo em pedaços menores e gerenciáveis, o torna economicamente e ambientalmente sustentáveis.

Os produtores ao tentarem controlar áreas menores, esbarram na lei do limite. Para cada talhão dado, ano após ano, os fatores limitantes podem mudar: nutrientes disponíveis, doenças, pragas, clima. De fato, o fator limite, pode atuar mesmo durante o crescimento da plantação. Para poderem decidir sobre o gerenciamento do talhão, os produtores devem estar atentos ao fator limitante de cada talhão e serem capazes de modificar as técnicas aplicadas na mesma escala. Ainda, assim o que determina é o custo desta informação, pois a tecnologia disponível existe. Assim, muitas vezes é possível utilizar a informação, mas o custo é proibitivo, ou então é mais fácil levantar a informação que efetivamente utilizá-la.


INFORMAÇÃO GEORREFERENCIADA

A georreferência se refere aos dados baseados em informações geográficas. Esta ênfase espacial implica em uma nova maneira de olhar a informação agrícola e a variabilidade dos locais de plantio. A comparação de dados de locais específicos, os quais são obtidos usando os métodos de agricultura de precisão, será umas das técnicas mais importantes no melhoramento do gerenciamento das propriedades.

O valor da informação para a agricultura de precisão aumenta quando as camadas de dados podem ser referenciadas espacialmente entre elas. O registro destes dados simultaneamente será critico quando os espaços de gerenciamento tornem-se menores e mais precisos se tornarem os dados. Espera-se que a referência dos dados aos locais possibilite a que diferentes tipos de informação de um mesmo local sejam comparáveis e qualitativamente analisáveis para múltiplos locais. Por exemplo, dados físicos do solo podem ser comparados com dados dos sensores de colheita (produtividade), dados sobre irrigação, aplicação de pesticidas, etc.


SISTEMAS GPS E AGRICULTURA DE PRECISÃO

Não se pode falar em dados georreferenciados sem falar no sistema GPS, descrito anteriormente. O uso do GPS permite associar a informação de latitude e longitude aos dados obtidos de um local específico do campo. Também é usado largamente para guiar a navegação pelo campo, provendo ao produtor a possibilidade de revisitar um determinado local, afim de comprovar a eficácia do gerenciamento escolhido.
Assim o GPS se torna um componente essencial para a maioria das aplicações de agricultura de precisão baseadas em mapeamento do solo. Ainda as aplicações de sensoriamento em tempo real e posicionamento em tempo real podem usufruir do sistema GPS.

O uso deste recurso tende a crescer exponencialmente nos próximos anos, e não apenas na agricultura, mas também em outras setores. As limitações do uso do GPS não provem diretamente de sua precisão normal, mas de situações onde o sinal é degradado, seja pelo governo americano ou por condições climáticas. Existem ainda problemas relacionados com a velocidade de aquisição e correção do sinal, que ainda devem ser superados, mas para evoluir a situação atual, de pouco de desenvolvimento, estes problemas não serão proibitivos.


GIS (GEOGRAFICAL INFORMATION SYSTEM) E SOFTWARE DE MAPEAMENTO

Os dados geográficos digitais que podem ser armazenados, analisados e mostrados de diferentes maneiras, formam o núcleo da agricultura de precisão. Os pacotes de software que são usados para manusear estes dados chamados GIS, sistema de informações geográficas, estão disponíveis em uma gama de capacidades e custos, mas todos apresentam a capacidade de mostrarem graficamente dados.

Estes sistemas variam de simples mostradores de mapas até sistemas complexos capazes de analisar e integrar diferentes tipos de dados de diferentes bases de dados. Uma limitação comercial destes produtos é a relação espacial entre as camadas de dados, relação esta que não pode ser quantificada, apenas constatações visuais podem ser obtidas. Esta limitação está sendo mudada pelos fabricantes de software que estão desenvolvendo programas com todas as funcionalidades, tornando-os mais fáceis de usar e possibilitando ao usuário observar esta relação entre as camadas de informações.


SISTEMA DE MAPEAMENTO DE COLHEITA

Os sistemas de mapeamento da colheita são capazes de armazenar as informações relativas à produtividade durante o processo da colheita, georreferenciando os dados e adicionando as características da safra colhida. Os mapas resultantes mostram explicitamente as áreas de variação de produtividade, como a produtividade é o fator determinante nas decisões de gerenciamento, estes mapas são desejados para ratificar as decisões de gerenciamento e manejo do campo.

Desde 1992, a colheita de grãos tem sido mapeada nos EUA usando sensores de massa e sistemas GPS para armazenar a posição. Estes sensores medem a umidade dos grãos, a mistura dos tipos de grãos e a colheita por área, determinado a quantidade de grãos da produtividade por acre. Baseado neste sistema a Massey Ferguson possui um sistema GIS de gerenciamento de produtividade no campo, que abrange todas as fases da plantação e se torna um dos completos do mercado.


TÉCNICAS DE TAXA VARIÁVEL

A agricultura de precisão foi pioneira na indústria norte americana na utilização do conceito de taxa variável (VRT - Variable-Rate Technology). Os aplicadores de insumos a taxa variável variam entre espalhadoras de sementes, espalhadores de fertilizantes (adubadeiras), pulverizadores de pesticidas e os espalhadores de corretivos (calcalhadeiras), este abordados neste projeto. Os VRTs são controles especializados, que variam a quantidade de material depositado, concentração do insumo ou ainda proporção entre diferentes materiais. Os VRTs são projetados de maneira a atender o insumo que será controlado e a fonte de informação utilizada para as taxas locais, podendo ser esta fonte de informação das seguintes maneiras:

1. Baseadas em mapas, sendo necessários o georreferenciamento por sistema GPS/DGPS e uma unidade de comando que armazene esta informações para o plano de aplicação de insumos em cada local ser atendido, ou

2. Baseados em sensores, que não necessitam do georreferenciamento, porém incluem sistemas em tempo real de analise da informação e comando, para cada local que vai sendo adentrado.

Historicamente os métodos de taxa variável foram introduzidos pela indústria nos meados dos anos 80. O nitrogênio, fósforo e o potássio tinham sua taxa de aplicação variada em aplicadores comercias, com a quantidade baseada em um levantamento prévio. Esse mapeamento era, e ainda é, feito atualmente com amostra de partes do solo e posterior interpolação dos dados. As máquinas eram equipadas com VRTs para controlarem a quantidade de insumos que eram depositados. Existe uma pequena variação no uso de VRTs para corretivos e agrotóxicos, no caso dos corretivos o levantamento do solo é essencial, já para os agrotóxicos pode-se optar por sistemas de visão em tempo real.

Os proponentes da metodologia de monitoramento em tempo real com sensoriamento observaram que as condições do solo e da colheita são menos constantes que os dados constatados pelo levantamento mapeado. Os sistemas GPS/DGPS limitam-se a uma amostra por segundo, o que limita a ação do controle a uma ação por segundo. Os sistemas em tempo real oferecem alguns benefícios sobre o sistema de mapeamento, pois é direta e continua a relação medição e atuação, reduzindo a área não amostrada. O mapeamento é baseado em um número limitado de amostras, podendo gerar um erro nas localidades estimadas. Apesar disso o sistema baseado em sensores é utilizado para alguns casos onde os requisitos são mais apurados, pois muitas vezes o custo não justificaria a adoção deste método.

VRTs com sensores são utilizados em equipamentos agrícolas para:

- variar a aplicação de amônia anídrica, em resposta as variações do solo.
- variar a aplicação de sementes, população, em resposta as propriedades do solo.
- variar a aplicação de herbicidas, em resposta as variações de pragas na lavoura.
- variar a aplicação de nitrogênio, em resposta aos níveis de nitrogênio no solo.

Os sistemas baseados em mapas são empregados em aplicações de alto volume, que corresponde especificamente a correção do solo, antes do plantio, com fósforo e potássio. Apesar disto este método também está disponível para insumos citados acima.

Os custos para automatização deste processo não são proibitivos, porém deve-se atentar para a gama de funções que podem ser requisitadas. Basicamente os VRTs representam uma interface entre hardware e software, porém este conjunto deve ser capaz de receber e processar os dados vindos dos sistema GPS/DGPS, integrando com as informações mapeadas. Os requisitos podem então crescer conforme o grau de sofisticação e complexidade do sistema. Podem ser incorporados múltiplos insumos, para casos de aplicação de mais um tipo de agrotóxico, ou ate mesmo um sistema GPS/DGPS embutido no produto. Alem de todas essas variações, os custos devem ser levantados considerando o custo para o mapeamento do solo, treinamento do pessoal de operação e ainda custo de desenvolvimento de novas tecnologias, quando necessário.


SENSORES DE SOLO

Moran et al (1996) conclui que as informações dos sensores de solo são necessárias para levantar dos dados de mistura do solo, nitrato de nitrogênio, compactação, textura, salinidade, resíduos da colheita, número de sementes, etc. Estes parâmetros, juntamente com o PH do solo e a quantidade de fósforo e potássio não podem ser levantados por sensores remotos, porém os dados em tempo real que os sensores de solo disponibilizam não são factíveis com os mapeamentos via satélite ou avião.

Sensores para medir a condutividade do solo, nível de nutrientes e mistura do solo já foram desenvolvidos, juntamente com sensores de quantidade de nitrato. Na universidade de Pordue, em 1996 já se falavam em sensores em tempo real para textura e compactação do solo, porém estes métodos ainda não são realidade no Brasil. Quando falamos em agricultura de precisão usando VRTs, deve-se sempre pensar em mapeamento por GPS e apenas em alguns casos, raros, aplicação de agrotóxicos em tempo real.


SENSORES REMOTOS

Os métodos remotos consistem em aviões ou satélites; que é um potencial importante na agricultura de precisão para aquisição de dados. Apesar disto melhorias são necessárias para os sensores remotos entregarem a precisão devida a pratica agrícola, mas desde os experimentos de Colwell em 1956 muito se evoluiu e espera-se que logo os satélites sejam mais atuantes no planejamento da produção agrícola.


EFEITOS DA POPULARIZAÇÃO DA AGRICULTURA DE PRECISÃO

A agricultura de precisão tem chamado atenção nos últimos tempos, pelo fato de afetar não apenas os fatores diretamente relacionados com a agricultura, mas por influenciarem a estrutura agrícola como um todo, abrangendo os trabalhadores rurais e o meio ambiente.


EFEITOS NOS EMPREGOS RURAIS

Como toda modernização de processos esta também influi nas pessoas a volta. Mas diferente da indústria, onde muitas vezes a máquina substitui o homem, no campo os processos de agricultura de precisão estão gerando novos ramos para diversas atividades existentes.

O trabalhador rural terá de se adaptar as novas técnicas de manuseio das máquinas, diferente do que aconteceu a agricultura familiar, que foi substituída por máquinas e grandes propriedades, estas técnicas apenas fazem com que estas propriedades grandes se tornem mais competitivas no mercado.

Para atender a demanda por novos produtos e novos serviços, estão surgindo empresas e profissionais especializados em agricultura de precisão. Para atender o ramo de serviços especializados, como mapeamentos dos solos e levantamentos de dados, existem empresas de caráter regional, focadas em atender os clientes que estão próximos. Já para atender o lado de produtos prontos, como GPSs agrícolas e controladores existem as grandes fabricantes de implementos e outras empresas que estão apostando neste mercado, como a Arvus Tecnologia.

Um exemplo claro de como existe um novo mercado é o caso de um sistema desenvolvido sob demanda para uma propriedade de Goiás, onde a integração entre GPS e PDA permitiu o controle digital de pragas pelo administrador da fazenda. Isto permitindo uma tomada de decisão juntamente com os agrônomos mais eficiente e consistente.


IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS

A agricultura de precisão tende a cria uma situação virtuosa, pois a redução no uso de agrotóxicos e insumos provoca uma conservação melhor da terra cultivada e limita a degradação do meio ambiente. Assim quando mais áreas com estas técnicas, menos degradação ambiental e mais produtividade nestas terras.



FONTES BIBLIOGRÁFICAS

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SONKA, S. T., M. E. BAUER and E. T. CHERRY, et al Precision Agricultureinthe 21st Century Geospatial and Information Technologies in Crop Management

OLSON, R. K., C. A. Francis, and S. Kaffka, eds. 1995. Exploring the Role of Diversity in Sustainable Agriculture. Madison, Wis.: American Society of Agronomy.

FRESCO, L. O. 1995. Agro-ecological knowledge at different scales. Pp. 133-141 in EcoRegional Approaches for Sustainable Land Use and Food Production, J. Bouma, A. Kuyvenhaven, B. H. A. M. Bouman, J. C. Luyten, and H. G. Zandstra, eds. Dordrecht, The Netherlands: Kluwer Academic Publisher.

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MORAN, M. S., T. R. Clarke, J. Qi, and P. J. Pinter, Jr. 1996. MADMAC: A test of multispectral imagery as a farm management tool. Pp. 612-617 in Proceedings of the 26th International Symposium on Remote Sensing Environment, March 25-29, Vancouver, Canada.

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GPS Guide - Garmin, 2000


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